quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Direito e os filhos do vento


Passam-se os dias, ficam as lembranças. E naqueles distantes dias da minha infância, em frente a minha casa, de quando em vez, instalavam-se os festivos ciganos, e juntos traziam as magias de um povo nômade. Mas era por pouco tempo, logo partiriam em direção a lugar nenhum.

Na verdade, os ciganos são aquilo que os povos gostariam de ser, mas a civilidade não permite: livres.

Se falarmos dos direitos humanos das minorias, e se perguntássemos se eles pagariam algum preço por isso, certamente, não teríamos uma resposta positiva. Há sempre uma tentativa de enquadrar aquelas culturas que não pertencem à "civilização".

A liberdade que os filhos do vento tem não existe porque uma ordem jurídica assim o positivou, existe porque não reconhecem que há uma ordem jurídica.

Não havia tempo para amizades, nem se importavam com a vizinhança. Logo partiam, os filhos do vento, sem criarem raízes, sem se envolverem com nossas filosofias. Enquanto falamos e lutamos por uma tal liberdade, alheios a isso e ao resto, vivem-na.

Encantos e segredos. Musicalidade e magia. Que importa se como minorias são discriminados, não tem nacionalidade definida, não constituem uma nação (?) e nem votam e são votados, os tais direitos políticos. Que importância tem isso para a vida desapegada das convenções sociais? Nenhuma.

Dirá você que o título não condiz com o texto. Pois bem, altere-o para A desimportância do Direito para os filhos do vento. Não contente? Ignore-o ou intitule-o ao seu bel-prazer.

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