terça-feira, 5 de março de 2013

Tente outra vez





  








Havia tentado largar o fumo outras vezes. Muitas outras vezes. Inúmeras vezes. Nem mais saberia dizer quantas vezes. Uma sucessão de fracassos que afundavam cada vez mais sua autoestima. Sentia-se um pedaço de gente. Meio homem, meio nada.

A nicotina, sua mordaz companheira, já levou muitas vidas, abreviou muitas histórias. Mas o pior que ela faz é pigarrear as entranhas de sua presa.

Um fumante não é um viciado, é um doente. Um doente que precisa de cuidados especiais. Só outro produto químico pode combater com eficiência a dependência química. No entanto, ele não pensava assim. Ele se sentia fraco, se sentia menos, se sentia incapaz. Nunca se considerou um doente à espera de ajuda.

Não era o único a pensar assim. Falavam que dependia só dele, que o que lhe faltava era vontade, persistência, vergonha na cara. Uma ideia repetida 333 vezes se torna verdade. Todas acreditavam nisso, e ele também.

                  Aquele com o isqueiro na mão, ali vai ele tentando outra vez.

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