A SESTA DA TERÇA-FEIRA
Tinha a serenidade escrupulosa da gente acostumada à pobreza.
Entraram em uma sala impregnada de um velho cheiro de flores.
A estreita sala de espera era pobre, ordenada e limpa.
O cabelo que lhe faltava na cabeça sobre nas mãos.
A senhora Rebeca, uma viúva solitária que vivia em uma casa cheia de cacarecos.
UM DIA DESSES
Um olhar que raramente correspondia à situação.
Viu dois urubus pensativos que se secavam ao sol.
Mande-me a conta. Ao senhor ou ao município? Dá no mesmo.
NESTA TERRA NÃO HÁ LADRÕES
(Um conto que retrata o racismo de forma sutil, sem dizer que aquilo é racismo.)
Tinha a virtude de esquecer seus projetos com o mesmo entusiamo que necessitava para concebê-los.
A PRODIGIOSA TARDE DE BALTAZAR
A VIÚVA MONTIEL
José Montiel lhes comprava as terras e o gado por um preço que ele mesmo se encarregava de fixar.
UM DIA DEPOIS DE SÁBADO
Mas estava perturbada, em parte pelo calor e em parte pela indignação que lhe produzira a destruição de suas telas.
Era considerado por seus fiéis como um homem bom, pacífico e prestativo, mas que habitualmente andava nas nunves.
Tinha uma voz macia para a conversa mas demasiado macia para o púlpito.
Gostava de extraviar-se por veredas metafísicas.
Se tem um padre deve ter um hotel.
Com uma horrível expressão de cachorro balançando o rabo.
Tinha uma ideia inteiramente rudimentar da palavra "aposentadoria", que ele interpretava por alto como uma determinada quantia de dinheiro que o governo deveria lhe entregar para fazer uma criação de porcos.
E assim ele resolveu ir à igreja, em parte pelo seu desespero, em parte pela curiosidade de conhecer uma pessoa de cem anos.
AS ROSAS ARTIFICIAIS
Supondo que seja assim, o que tem isso de particular?
OS FUNERAIS A MAMÃE GRANDE
Ordenou que a sentassem em sua velha cadeira de balanço de cipó para expressar sua última vontade. Era o único requisito que lhe faltava para morrer.
Resenha:
Os Funerais de Mamãe Grande (1962) é uma coletânea fundamental de Gabriel García Márquez, publicada cinco anos antes do épico Cem Anos de Solidão. Reunindo oito contos
, a obra é um laboratório do realismo fantástico e uma viagem ao coração de Macondo
, já apresentando temas como poder, morte e solitude que marcariam sua obra-prima
.
A coletânea: o microcosmo de Macondo
Os contos se passam na sufocante Macondo
, onde as relações de poder são opressivas
. O livro é um “embrião” de Cem Anos
, apresentando personagens que depois seriam figuras centrais, como Rebeca, Aureliano e José Arcádio Buendía
.
O conto-título: uma alegoria do poder
O conto que dá nome ao livro é uma alegoria política e social sobre a morte da matriarca de Macondo
. Ela personifica o poder absoluto e as tradições arcaicas da América Latina
, mandando “na fecundidade, nos casamentos, na economia”
. Seu funeral é uma paródia grandiosa: figuras nacionais e até o Sumo Pontífice comparecem
, numa mistura de sagrado e grotesco que expõe a hipocrisia das estruturas de poder
.
A prosa já exibe a maestria de García Márquez
, unindo o trivial e o fantástico num tom irônico
. Embora alguns contos mostrem o autor ainda aperfeiçoando sua técnica
, a coletânea é uma leitura obrigatória para quem deseja compreender a gênese de seu universo literário
.
Conclusão
Os Funerais de Mamãe Grande é mais que uma coletânea de contos; é o mapa do tesouro para o mundo de Macondo. Com humor, crítica e fantasia, García Márquez nos convida a um enterro que, na verdade, celebra o nascimento de um dos maiores mitos da literatura universal.
Ficha Técnica: Gabriel García Márquez, Os Funerais de Mamãe Grande, 1ª ed. 1962, 160 páginas
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Não entendi nada.