segunda-feira, 25 de maio de 2026

A exuberância está no caos - para a Nona Ignez



Esta flor foram os passarinhos que trouxeram, aquela vermelha também; esta aqui, que muda de cor todo ano, eu não lembro de onde veio. É a Nona Ignez falando, com aquele brilho de satisfação, das plantas de seu quintal. Não se trata de uma sequência enfileirada de flores da mesma espécie, de vegetais devidamente podados e milimetricamente expostos para causar uma bela imagem. Ali impera a lei da natureza selvagem, que se adapta e se reproduz, que dá flores e sementes, e ficam assim tão lindas porque estão livres.

A beleza está no caos, na diversidade e, principalmente, no olhar e nas mãos da jardineira Ignez. Não que o cuidado, a poda no tempo certo, a sequência cuidadosamente escolhida e a harmonia de um jardim não tenham lá seu valor. Porém, aos olhos da Nona Ignez, a exuberância nasce do caos — como uma mata virgem onde diferentes espécies florescem, criam raízes e espalham vida. Sempre cabe mais um tom, mais uma muda, mais um broto, ainda que venha roubado, pois assim chega mais forte, mais verde, mais viçoso.

Bombinhas, outono de 2026.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

O veneno da madrugada - Gabriel García Márquez - anotações

 


Trechos.

Deixar-nos por conta de Deus é também uma maneira de dar paulada.


Resenha de O Veneno da Madrugada

O romance O Veneno da Madrugada — também publicado com o título A Má Hora — é uma das obras menos conhecidas de Gabriel García Márquez, mas já revela muitos elementos que mais tarde consagrariam o autor em Cem Anos de Solidão. A narrativa se passa em um pequeno vilarejo latino-americano dominado pelo medo, pela vigilância e pelo poder arbitrário de um alcaide autoritário. O aparente equilíbrio da cidade começa a ruir quando surgem pasquins — bilhetes anônimos pregados nas portas das casas — expondo adultérios, crimes, hipocrisias e segredos que todos conheciam, mas fingiam ignorar.

Mais do que um mistério sobre quem escreve os bilhetes, o livro é uma radiografia moral de uma comunidade corroída pela repressão e pelo silêncio. García Márquez mostra como a verdade pode ser mais destrutiva do que a mentira quando uma sociedade inteira se sustenta na aparência. O “veneno” do título não é apenas o medo: é também a fofoca, a suspeita permanente e a incapacidade coletiva de enfrentar a própria realidade.

A atmosfera da obra é densa e abafada. Chove, há tensão política, ressentimentos familiares e uma sensação contínua de decadência. O autor constrói um ambiente em que ninguém é totalmente inocente. O padre, os comerciantes, os militares e os moradores comuns participam, de alguma forma, do sistema de opressão. Essa crítica aos regimes autoritários latino-americanos aparece de forma sutil, mas constante.

Embora o livro ainda não apresente plenamente o realismo mágico que tornaria García Márquez mundialmente famoso, já se percebe sua marca principal: a mistura entre cotidiano banal e sensação de fatalidade coletiva. O vilarejo parece viver suspenso entre o absurdo e a resignação. Há também ecos de Macondo, cenário clássico do autor, especialmente na ideia de que a comunidade inteira funciona como um único organismo emocional.

A escrita é econômica, porém extremamente atmosférica. García Márquez não se preocupa tanto em aprofundar psicologicamente cada personagem; seu foco está no retrato social e no clima moral da cidade. Isso pode causar estranhamento em leitores acostumados a narrativas mais centradas em protagonistas definidos. Ainda assim, justamente essa fragmentação dá força ao romance: o verdadeiro personagem principal é a própria comunidade.

O Veneno da Madrugada talvez não tenha o brilho monumental de Cem Anos de Solidão ou a carga emocional de O Amor nos Tempos do Cólera, mas é uma obra importante para compreender a formação literária de García Márquez. O livro antecipa temas que o acompanhariam por toda a carreira: poder, memória, culpa, violência política e a solidão coletiva dos povos latino-americanos.

É um romance curto, sombrio e profundamente humano. Uma leitura que incomoda mais do que encanta — e talvez exatamente por isso permaneça atual.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O povo brasileiro - Darcy Ribeiro - anotações

 





Antropologia.

SUMÁRIO





Eis um livro para ler antes de morrer, se no horizonte estiver a ideia de entender a formação e o sentido do Brasil. Antropologia. Que bom que pude lê-lo, e o melhor ainda é que ele me abriu janelas para a Antropologia.

Bombinhas, 7 de maio de 2026.











domingo, 8 de março de 2026

Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Costa - anotações

 




Eu e a Clau assistimos, em Lages-SC, ao filme Ainda Estou Aqui, baseado na obra homônima de Marcelo Rubens Paiva - livro lançado em 2015. Então tive a curiosidade de ler outras obras do autor.

Ganhei de minha esposa esse livro, em abril/2025, com essa dedicatória marcante. Lido em março/2026.

A ditatura militar sumiu com o seu pai quando ele ainda era bem jovem, por volta dos 12 anos. Aos 21/22 anos, ele mergulha numa lagoa rasa e fica tetraplégico. Nesse instante começa a contar a história de Feliz Ano Velho.

Armadilhas da vida.




domingo, 15 de fevereiro de 2026

O que é a felicidade

Filosoficamente falando...

O que é a felicidade para você?

Pensadores de todos os tempos se debruçam sobre esse tema.

Uma corrente defende que a felicidade consiste em contentar-se com o que se tem.

Para alguns, no entanto, felicidade é poder continuar apreendendo.

Por ora, eu me alinho a esses últimos.

Todavia, para esta nova fase da minha vida, cabe também dizer que a felicidade é

poder viver bons momentos sem a necessidade de estar sob efeito do álcool. 348

dias sem álcool, e logo começa um novo período.

Para Mahatma Ghandi, no entanto, a felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia. Perfeito, não?


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Utopia Autoritária Brasileira, de Carlos Fico

 Cono os militares

ameaçam a

democracia 

brasileira desde o

nascimento da

República até hoje.



Trechos...

Tão monótono como um mar sem ondas - sobre Rui Barbosa.

Os exércitos passivamente obedientes não são defensores da nação. Rui Barbosa.

Transformar episódios insignificantes em grandes polêmicas - era o que fazia Rui Barbosa vender suas ideias.

Vários signatários foram punidos pela ditadura com demissões de cargos públicos.

... conforme a tradição brasileira de impunidade para militares golpistas.

A arte de alterar radicalmente a vida nacional, no dizer de José Stachini.

Art. 142, CF.


Lido em fev/2026.