A SESTA DA TERÇA-FEIRA
Tinha a serenidade escrupulosa da gente acostumada à pobreza.
Entraram em uma sala impregnada de um velho cheiro de flores.
A estreita sala de espera era pobre, ordenada e limpa.
O cabelo que lhe faltava na cabeça sobre nas mãos.
A senhora Rebeca, uma viúva solitária que vivia em uma casa cheia de cacarecos.
UM DIA DESSES
Um olhar que raramente correspondia à situação.
Viu dois urubus pensativos que se secavam ao sol.
Mande-me a conta. Ao senhor ou ao município? Dá no mesmo.
NESTA TERRA NÃO HÁ LADRÕES
Resenha:
Os Funerais de Mamãe Grande (1962) é uma coletânea fundamental de Gabriel García Márquez, publicada cinco anos antes do épico Cem Anos de Solidão. Reunindo oito contos, a obra é um laboratório do realismo fantástico e uma viagem ao coração de Macondo, já apresentando temas como poder, morte e solitude que marcariam sua obra-prima.
A coletânea: o microcosmo de Macondo
Os contos se passam na sufocante Macondo, onde as relações de poder são opressivas. O livro é um “embrião” de Cem Anos, apresentando personagens que depois seriam figuras centrais, como Rebeca, Aureliano e José Arcádio Buendía.
O conto-título: uma alegoria do poder
O conto que dá nome ao livro é uma alegoria política e social sobre a morte da matriarca de Macondo. Ela personifica o poder absoluto e as tradições arcaicas da América Latina, mandando “na fecundidade, nos casamentos, na economia”. Seu funeral é uma paródia grandiosa: figuras nacionais e até o Sumo Pontífice comparecem, numa mistura de sagrado e grotesco que expõe a hipocrisia das estruturas de poder.
A prosa já exibe a maestria de García Márquez, unindo o trivial e o fantástico num tom irônico. Embora alguns contos mostrem o autor ainda aperfeiçoando sua técnica, a coletânea é uma leitura obrigatória para quem deseja compreender a gênese de seu universo literário.
Conclusão
Os Funerais de Mamãe Grande é mais que uma coletânea de contos; é o mapa do tesouro para o mundo de Macondo. Com humor, crítica e fantasia, García Márquez nos convida a um enterro que, na verdade, celebra o nascimento de um dos maiores mitos da literatura universal.
***
Não entendi nada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por sua contribuição!