sábado, 20 de junho de 2026

Que passa com meu remanso, nego

Ele perambula pelas praias da península, espécie de testemunha ocular das transformações deste remanso. Carrega uma sacola cheia de coisas e finge ser tatuador nas horas ociosas.

Meu remanso foi mudando aos poucos, e eu estava ocupado demais fazendo nada para ver tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Estava absorto demais lembrando se de fato um dia fui tatuador, e agora as pessoas passam por mim sem me ver. Agora já nem sei se fui ou se apenas sonhei que fui.

Não pedem mais meus serviços, talvez porque me confundam com um maltrapilho, uma pessoa em situação de rua, não sei. E agora passei a revirar lixos à procura de não sei o quê. Não é por necessidade, mas sempre alguma coisa me serve. Uma senhora até me confundiu com um mendigo e me ofereceu uns trocados; vacilei, mas peguei. Não é meu feitio ser indelicado com as pessoas.

O que fizeram com meu Ribeiro, nego?  Nem o embaixador da praia pôde barrar. Ou será que ele também faz parte desse negócio? E aquele bagual empunhando uma arma, montado num cavalo? Que tipo de monumento é esse?

Que passa com meu remanso, nego.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por sua contribuição!